A #Babilônia caiu

28/08/2015

Fonte: Reprodução
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#Babilônia se despede como maior fracasso da história da teledramaturgia global... A problemática trama assinada por um sem-número de autores sai de cena e não vai deixar saudades. É a novela que não foi, mas que poderia ter sido. Dessa vez, vou fazer um balanço com sete pontos que ajudaram na queda da Babilônia.

Clã do Gilberto Braga: Tá certo que os autores gostem de trabalhar sempre com os mesmos atores, mas no caso de Gilberto Braga, nada muda: nem atores, nem colaboradores, nem mesmo o diretor. Além disso, o texto duro do Gilberto impede que se estabeleça qualquer vínculo com a obra. A última novela do Gilberto Braga que marcou foi "Celebridade". As outras quase passaram batido. Detalhe: "Celebridade" veio após um hiato de quase dez anos no horário das oito (mesmo que nesse meio tempo haja "Labirinto" e "Força de um desejo").

Corrupção: Sílvio de Abreu já falou (acho que foi no livro "Autores") que ninguém sabia o que era o Oscar em "As filhas da mãe". E de fato, quem do público que assiste novela lembra que "Birdman" foi o vencedor desse ano? A maior parte do público de novela não está ligado nesse tipo de coisa. Da mesma forma, um assunto como corrupção em empreiteiras... A maioria das pessoas não sabe o que é uma empreiteira!

Mocinha batalhadora: Alguém aí se importava com a sede de justiça de Regina (Camila Pitanga) pra descobrir quem matou o pai dela? Mocinha marrenta que, nas horas vagas, cuidava de barraca na praia pra conseguir o sustento. Personagem mal desenvolvida e por isso, não criou empatia.

Rio de Janeiro: Não aguento mais novela no Rio de Janeiro... Sai barato gravar na cidade por ser sede da Globo, mas quando o ambiente muda (vide "Amores roubados"), cria-se um ar de novidade, mexe com o público. Lembro-me de uma trinca de sucessos dos anos 1990: "O rei do gado", "A indomada" e "Por amor". Em comum, a diferença de ambientação e a alta qualidade dos textos, do desenho dos personagens, ótimos atores muito bem dirigidos... Enfim... Empatia, identificação, receitas de boa audiência, crítica e repercussão.

Souza Rangel: Sério que uma novela usa um nome tão sem graça pra uma empresa importante e que faz parte do desenrolar da história? Alguém aí vai lembrar de "Souza Rangel" no futuro? Lógico que não! Mas aposto que você lembra de Sucata (Rainha da Sucata), Marmoreal (Suave Veneno), Nerta (Pérola Negra), Revista Fama (Celebridade), Lambertini (Da cor do pecado), Marra (Geração Brasil), entre outras. Então, se quer fazer um link com o público, a empresa tem que ter um nome mais afetivo.

Trilha sonora: Tirando a versão mais intimista de "Amor, meu grande amor", canção de Ângela Rô Rô na voz de Lucas Santtana e que embalou o romance de Rafael (Chay Suede) e Laís (Luísa Arraes), qual música poderia ter marcado a novela? Falta trilha sonora pra personagens nas novelas atuais... Sem isso, não há vínculo afetivo. Trilha sonora não precisa ter apenas grandes nomes da MPB e nem apelar com músicas de gosto duvidoso. Basta fazer uma boa seleção e marcar os personagens. Ajuda muito!

Quem matou?: Alguém aí estava curioso pra saber quem matou Murilo (Bruno Gagliasso)? Não, né! Além disso, essa apelação anda demasiadamente gratuita na nossa teledramaturgia. Chega!

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.