A coragem pode ser pecado

12/09/2008

Fonte: Reprodução
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Na última semana, o SBT anunciou a compra de toda a obra radiofônica de Janete Clair, o que representa trinta e cinco novelas que devem ser adaptadas para a televisão a partir do ano que vem. Aliás, já se cogita que a substituta de "Pantanal" seja uma dessas adaptações, pois "Revelação" estreará logo após a saga de José Leôncio (Cláudio Marzo), após o término do horário político.

Particularmente, fiquei muito feliz com a proposta do SBT de investir em textos da escritora. Mas não vejo o assunto somente de maneira eufórica. No site da emissora, consta que o compromisso é de manter a genialidade e inigualável qualidade dos textos. Sim, mas há algumas semanas, Sílvio Santos colocou o dedo na novela da própria esposa. Quem garante que as ideias de Janete não irão sofrer nas mãos do Homem do Baú?

Outro ponto que considero relevante está no fato de a Globo já ter feito o remake de três novelas da autora. "Selva de pedra", "Irmãos coragem" e "Pecado capital", nessa ordem. Nenhuma das três propostas conquistou o mesmo êxito das versões originais. Com os remakes de Ivani Ribeiro, entretanto, o sucesso foi garantido, em especial suas duas últimas novelas, "Mulheres de areia" e "A viagem". E creio que isso aconteceu porque quem reescreveu as tramas foi a própria Ivani. Ou seja, não basta apresentar uma boa sinopse, mas sim ter a capacidade de saber conduzir essa história por vários meses.

Meu sétimo sentido não me engana: se as novelas estão no ar até hoje e são o principal produto da televisão brasileira, devemos agradecer à Nossa Senhora das Oito. Ela criou histórias marcantes e personagens inesquecíveis. Caberá ao SBT respeitar e se utilizar com dignidade da obra de Janete Clair.

Mudando de assunto...

Você lembra da novela "Destilando amor"? "Esta trama foi um dos maiores ibopes da Televisa. Protagonizada por Angélica Rivera, conta a saga de Gaivota, moça livre que vive conturbadas situações no âmbito da paixão, sendo a maioria provocada por intrigas de pessoas que a desprezam. Tudo isso baseado na obra de Fernando Gaitán, a colombiana "Café com aroma de mulher", que foi exibida duas vezes pelo SBT. Na emissora do tio Sílvio, a versão mexicana teve pouca audiência e, num completo desrespeito, o horário foi cancelado poucos capítulos após sua estreia.