As novas versões de #Mulan e #OJardimSecreto

05/09/2020

Fonte: Divulgação
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Hoje daremos uma pausa nas indicações de curtas para falar um pouquinho sobre a discussão que se levanta com as novas versões de #Mulan e #OJardimSecreto. Afinal, novas adaptações de clássicos são realmente necessárias?

A memória afetiva faz com que muitas pessoas olhem pra a releitura de uma obra com os dois pés atrás. Isso é natural, pois não gostamos que o baú de nossas lembranças seja remexido por outras pessoas. No entanto, é preciso considerar que já são mais de 20 anos entre a versão de 1998 e a atual versão de "Mulan" e mais de 25 anos entre a versão de 1994 e a atual versão de "O jardim secreto". Na história do cinema, há filmes que tiveram versões com menor diferença de tempo. Logicamente que algumas questões, como a distribuição restrita do conteúdo audiovisual, foi um fator determinante para novas adaptações de obras que foram bem recebidas em sua versão original. Esta seria uma maneira de permitir que um novo público tivesse acesso a histórias já conhecidas, incluído aí um tratamento técnico mais apurado. Hoje em dia, essa justificativa não se aplica, pois temos acesso a obras que foram produzidas desde os primórdios do cinema.

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Então qual seria a razão de uma nova versão de "Mulan" e "O jardim secreto"? Muitos dirão que a razão financeira se sobressai. É um ponto a ser considerado. Mas as novas versões de algumas obras podem reparar algumas arestas, indicando questões sociais que precisam ser repensadas. Uma releitura de "Mulan", por exemplo, ganha força num momento em que o papel do empoderamento feminino é discutido. "O jardim secreto" também sublinha a força de sua protagonista. Assim, as novas gerações estariam diante de uma obra que melhor dialogaria com as transformações pelas quais passamos. Este é um ponto positivo das novas adaptações. E ainda que num primeiro momento observemos que as versões de 1994 e 1998 não precisariam de uma releitura cinematográfica, não seria este um exercício necessário para compreendermos a importância das novas adaptações? 

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.