Cuidado ao inovar

11/11/2013

Logotipo da novela
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"Além do horizonte", nova novela das sete, já completou sua primeira semana de jornada. Com um tom que foge do lugar-comum das novelas das sete, a aposta da Globo tem muitas qualidades. Direção, fotografia, texto, elenco... Peraí... Elenco não! Tá puxado isso!!! A novela é boa, mas o elenco principal é meio fraquinho. Não tem nenhum medalhão da casa para puxar a novela. O que não é ruim, afinal, montar um elenco não deve ser tarefa fácil. Mas custava fazer alguns testes a mais pra ver se tinha alguém menos pior para certos papéis?

Ainda não é possível fazer uma avaliação de "Além do horizonte" porque é tudo muito recente e a novela ainda não se apresentou. Pelo que eu vi, existem algumas coisas abstratas no fio condutor, um tom que foge do tradicional. Isso é legal, inova. Mas para quem está em sua primeira novela, desconfio que não seja um bom caminho.

Vejamos os últimos trabalhos de autores novos a partir de João Emanuel Carneiro. "Da cor do pecado" trazia referências de histórias em quadrinhos no núcleo da Família Sardinha. Não foi bem uma inovação, foi apenas a contextualização de um núcleo, adequado para a faixa das sete. Na trama principal, um novelão de encher os olhos. Resultado: alta audiência.

Sigamos por autor, novela e consideração:

- Duca Rachid e Thelma Guedes, com "O profeta". Foram bem numa trama de Ivani Ribeiro, ainda que Walcyr Carrasco tenha dado um pouquinho de sua cara no início enquanto supervisionava a obra. 

- Elizabeth Jhin, com "Eterna magia". O público não compreendeu a novela, com uma história bem original, diga-se de passagem. Mas Elizabeth teve sorte, ganhou sobrevida.

- Andrea Maltarolli, com "Beleza pura". a novela era leve, divertida e é certo que a Globo daria uma nova chance para a autora se ela não tivesse nos deixado precocemente.

- Bosco Brasil, com "Tempos modernos". Da mesma forma que "Bang bang", do já experiente Mário Prata, tentou inovar e foi mal compreendida.

- Lícia Manzo, com "A vida da gente". A novela foi um sucesso de críticas e o público, ainda que não tenha dado a audiência que a qualidade do folhetim merecia, permitiu-se torcer por Ana (Fernanda Vasconcellos) ou Malu (Marjorie Estiano). 

- Filipe Miguez e Isabel de Oliveira, com "Cheias de charme". Grande sucesso de público e de crítica, a novela tinha uma temática popular e foi bem conduzida pelos novatos. Inovou por centrar a ação nas empreguetes e na interação com outras plataformas.

- Cláudia Lage e João Ximenes Braga, com "Lado a lado". A novela foi um primor. Quem assistiu sabe do que estou falando. Porém, o público torceu o nariz para a história, embora tenha sido sabiamente conduzida pela dupla.

Os autores Marcos Bernstein e Carlos Gregório estão tendo a chance de emplacar uma novela no horário das sete. Da mesma forma que os autores já citados, eles têm experiência em teledramaturgia. Porém, observa-se uma tentativa de inovação. Isso não é ruim. Pelo contrário, pois muito se reclama do mais do mesmo. Porém, para um autor novo, inovar não deveria ser o primeiro passo. Por melhor que seja a ideia, primeiro se conquista o espaço para depois viajar. Primeiro tem que se ter os pés no chão para depois ir além do horizonte.

Mudando de assunto: Traz a bebida que pisca! Eu quero a que pisca! Gente, não posso deixar de comentar a repercussão do vídeo do Rei do Camarote. O que é aquilo? Como as pessoas, de um modo geral, vivem somente pelo princípio do prazer. Isso é ruim? Não sei. Mas eu acho estranho. Você se sente bem torrando boa parte do seu dinheiro e, ao olhar pra lado, ver pessoas que não têm o mínimo do mínimo? Sei lá, por mais que a gente estude, trabalhe e busque crescer, costumo me perguntar se vale a pena esbanjar para além de um mínimo conforto necessário.