E foi dada a largada! "Amor eterno amor"

05/03/2012

Fonte: Reprodução
Fonte: Reprodução

A Globo deu hoje o pontapé em sua nova novela das seis. "Amor eterno amor" é assinada por Elizabeth Jhin e tem Rogério Gomes como diretor. Mas isso vocês já sabem. Se estão aqui é porque querem saber o que eu achei da novela. Ou não... Mas enfim... Querendo ou não, irei relatar.

Louco de medo, sentei no sofá da sala com meu chimarrão. Logo de cara, uma certa vontade de desligar a TV. Quando vi aquelas duas crianças com textinho brega olhando pro céu lotado de estrelas e adentrado no mesmo, pensei: "calma!". E me acalmei... Vamos ver o que essa primeira parte nos reserva. Afinal, pelo menos a abertura eu precisava assistir!

Na sequência, a trama da exploração infantil de uma forma diferente da qual imaginamos quando esse tema surge. Na novela, o dom do menino Rodrigo/Carlos (Caio Manhente) de amansar os animais era explorado pelo padrasto Virgílio (Osmar Prado). Mas só segui na novela mesmo porque não é sempre que vemos Denise Weinberg dando as caras na TV. Mesmo numa pontinha, a atriz deu um show de emoção como Angélica.

Teve um pedacinho antes da morte de Angélica que eu perdi por conta de uma ligação telefônica que recebi. Lógico que não vou contar para quem liguei, mas juro que não foi pra Christina Rocha nem pro "Fantasia". Enfim... Quando retornei, vi o guri correndo pelas montanhas de Minas Gerais. Depois, ele se encontrou com a menina Elisa (Júlia Gomes) e fez juras de amor eterno amor. Assisti aquilo e pensei: "Putz, que m%$#!". Mas o pior ainda estava por vir: do nada, surge um anjo ou ser superior ou sei lá o quê Lexor, interpretado por Othon Bastos. Sério, quando eu vejo o Othon Bastos na TV lembro do Getúlio Vargas! Nada a ver, né? Mas enfim... Embarque na viagem comigo: depois de umas falas bobinhas, a guria fica lá chorando porque o guri tá indo embora e do nada aparece o Getúlio Vargas como um ser iluminado. #Medoooo...

Mas deixemos de lado minhas viagens comigo mesmo. Vamos seguir... O gancho para a segunda parte do capítulo foi bonito. Lá estava Carlos vendo sua mãe Verbena (Ana Lúcia Torre) num carro. Tão próximos e tão distantes... E vamos para abertura!

Eu, todo trabalhado no deboche (ainda mais porque sabia que a Andreia Horta interpretaria uma Valéria, então a associação livre corria solta por aqui), me preparei para entoar a música de Dhu Morais: "Amor, eterno amor... É o direito de viver...". Porém, ao ver aquelas imagens, não me veio outra coisa na cabeça a não ser o seguinte refrão: "Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo...". Acabei soltando uma leve risadinha, principalmente depois de me tocar que o dinossauro da abertura era na verdade um búfalo. Considerando que Rogério Gomes estava na frente de "Morde & assopra", desta vez as minhas viagens estão justificadas.

"Pois bem... Vamos seguir até o fim. Dá pra seguir sem problemas, a novela está assistível. A trama está parece estar armada pra não ter erros... É possível que termine bem o capítulo", pensava eu. E seguiram muitas belas imagens da ilha de Marajó. Isso até me causou uma certa indignação. Porque diabos as novelas usam quase todas as mais belas imagens captadas nas externas logo de cara e depois esquecem de inseri-las no decorrer dos capítulos?

Os personagens que seguiram na atualidade se apresentaram bem. Cássia Kiss Magro deve atuar muito bem com sua Melissa (falo da personagem e não da sandália!). Pena que o cabelinho de playmobile deu as caras em sua personagem. Já tive que aguentar a Melina (Mayana Moura) em "Passione". Mas pior que isso o retorno do cabelo da Miranda de "O diabo veste Prada" ressurgindo na cabeça da Ana Lúcia Torre.

Enquanto no Rio de Janeiro a coisa nem enrolou nem desenrolou, vimos a Andreia Horta numa Valéria que deve ter muita história pra contar. A atriz foi bem em seus trabalhos anteriores e deve ser um convite para assistir "Amor eterno amor". No restante, vimos o Erom Cordeiro novamente como um peão e o Raphael Vianna ressuscitando seu personagem de "Araguaia", isso sem precisar dizer uma só palavra. Aliás, muitas das cenas vistas lembraram o universo retratado na trama de Walther Negrão. Pelo menos na segunda parte do capítulo.

E o que foi a festa por causa da televisão? Meu Deus, é tão difícil ter TV na ilha de Marajó? Estranho isso, tendo em vista que a Record briga diretamente com a Globo no Pará. Seria alguma mensagem subliminar por parte da emissora dos Marinho? Eu hein... Depois que vi o espírito do Getúlio Vargas, só posso ter medo de deixar minha fértil imaginação funcionar.

Bom, a TV foi ligada e todo mundo comemorou. Os personagens assistiram justamente um programa de TV onde Verbena faz seu apelo na busca pelo seu filho. Particularmente, tenho pânico de ver programa de televisão dentro de novela. Mas perdoei porque pelo menos foi mais rápido que quando Maria do Carmo (Suzana Vieira) pagou mico junto ao Daniel Boaventura fazendo caras e bocas em "Senhora do destino". Só não perdoei aquele efeito nos olhos do Léo, digo, do Carlos (Gabriel Braga Nunes). Que coisa mais pobre! E nisso, findou o capítulo.

No geral, o primeiro capítulo das antecessoras "A vida da gente" e "Cordel encantado" encantou mais. "Amor eterno amor" tem muitas chances de elevar os índices da novela de Lícia Manzo por ser um folhetim tradicional, leve e romântico como o pessoal curte. Só acho que a autora Elizabeth Jhin precisa dar um jeito de fazer seus personagens secundários serem mais interessantes do que os que encontramos em "Escrito nas estrelas". E, principalmente, ao menos trazer uma novela com um texto envolvente, próxima ao seu trabalho anterior. O que, a princípio, não vi no primeiro capítulo.

Mudando de assunto: O programa de Galisteu, "Muito+", está correndo o risco de ser classificado. Nudez velada e outras coisas não podem ser mostrada no horário da tarde. Interessante que "A casa é sua" segue no horário da tarde, bem como os popularescos e policialescos recordianos "Balanços gerais praças". Isso sem contar TV Câmara e TV Senado que é só sacanagem 24h horas por dia. Tá na hora do pessoal entender melhor como funcionam esses esquemas de Brasília. E o duplo sentido fica por conta do leitor.