Éramos feras mexicanas

11/06/2007

Fonte: Reprodução
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Eu estava observando a "Arrancada da vitória" do SBT enquanto pensava sobre as novelas já exibidas pela emissora. Não é preciso ser crítico de TV (e eu estou um tanto quanto longe disso) pra perceber que os dramalhões da Televisa já não fazem o mesmo sucesso de antigamente. Cito, por exemplo, as febres "Carrossel", "Maria Mercedes", "Marimar", "Maria do Bairro" e "A usurpadora". Aliás, terminaram as gravações de "Maria Esperança" - remake aquém do esperado - e pipoca a ideia de uma versão nacional de "Carrossel" para um segundo horário de novelas na emissora do tio Sílvio.

A maior evidência de que as novelas latinas já não fazem o mesmo sucesso está na apresentação de somente uma novela estrangeira: "Mundo de feras", diga-se de passagem, com uma história bastante interessante. Alguns motivos, acredito eu, tenham sido fundamentais para o SBT obter menos de dois dígitos em suas tramas (contando brasileiras e mexicanas).

a) Novelas brasileiras: O SBT nunca teve tradição em novelas. Suas tramas soam como fúnebres de tão escuros que são os cenários ("Antônio Alves, o taxista" é o maior exemplo), não possuem nem autor nem diretor de prestígio e quando parece que uma novela vai subir na audiência, tio Sílvio mete o nariz. A emissora também não faz chamadas de seu principal produto, que muda de horário como quem muda de roupa. Quando contrata atores, faz aquele escarcéu avisando Deus e o mundo e, ao término da trama, rasga os contratos deixando pra Record fazer seu cast.

b) Novelas mexicanas: A emissora saturou os telespectadores com frases do tipo "Eu te amo com toda a minha alma e por isso não posso te arrancar do meu coração!". Como? Desde o sucesso de "A usurpadora", o número de novelas mexicanas subiu consideravelmente. Em 2001, na época de "Pícara sonhadora", a emissora exibia quatro novelas da Televisa: "Preciosa", "Rosalinda" (lembram da "Tarde de amor"?), "Abraça-me muito forte" e "Carinha de anjo". O desinteresse veio por conta das tramas não condizerem com a realidade brasileira e devido a produção acelerada da Record que, dizem por aí, pretende ultrapassar a Globo até 2010.

Ao menos "A usurpadora" está de volta com a missão de erguer a audiência das tardes da emissora. E espero que consiga recuperar o público que fugia da Globo, pois desde "A escrava Isaura", parece que o rumo dessa caravana também não é mais a Anhanguera.

Mudando de assunto...

Nesta semana, a saga de Antônio Carlos Lancelotti chega a seu fim. O inesquecível pescador parrudo de "Kubanacan" renasceu na atualidade, passou por um período na França e meteu o "Pé na jaca" milhares de vezes. As novelas do Lombardi, bem se sabe, ou se ama ou se odeia. E com "Pé na jaca", a Globo segue com seu problema às 19h: intercalam-se tramas mais ou menos com boas - especialmente em audiência. Veja o esquema: "Da cor do pecado", "Começar de novo", "A lua me disse", "Bang bang", "Cobras & lagartos" e "Pé na jaca".