Félix: o protagonista de #AmorÀVida

05/08/2013

Fonte: Reprodução
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Félix (Mateus Solano), o vilão caricato, tornou-se mais humano. César (Antônio Fagundes), o personagem mais certinho da novela, tornou-se mais complexo. O conflito existente em "Amor à vida" acontece nas melhores famílias. Mas o público de novelas ainda não se adaptou e, muitas vezes, resiste quando a temática da homossexualidade é evidenciada.

Mas não é nem de Félix nem de César que eu quero falar. Quero pensar, na verdade, sobre o porquê de esta temática ainda ser capaz de gerar um conflito de proporção continental num país como o nosso. Ainda estamos com uma dramaturgia atrasada? Ou seria o próprio público que não se adaptou ao mundo do século XXI? Já imaginaram se os diversos seriados e filmes internacionais fossem trabalhar com a temática da homossexualidade com o mesmo foco didático que as novelas ainda precisam se utilizar para falar sobre? A dramaturgia  não teria se desenvolvido...

Não existe sutileza no texto de "Amor à vida", isso é fato. Também não existe sutileza quando há necessidade de trabalhar com questões polêmicas na nossa produção da TV aberta. O público geral parece não estar preparado para avançar nas questões e as produções não conseguem focar com naturalidade. E isso me incomoda. O que destoa ainda precisa ser mastigado.

Por que fazer tanto barulho com um beijo gay, que deveria ser tão natural? É a polêmica que torna legitima o não comum como diferente. Enquanto não houver uma dramaturgia capaz de refletir a realidade sem categorizar temáticas, viveremos comemorando audiência de capítulos que exploram justamente o que não compreendemos como algo possível, próximo e real.

Mudando de assunto: Uma re-reprise de "O cravo e a rosa" iniciou hoje. A trama água-com-açúcar é enorme. São mais de 220 capítulos. Se não der audiência, quero ver compactarem tudo. E, já no primeiro capítulo, deu pra ver todos os artifícios já utilizados pelo Walcyr Carrasco. Naquela época, uma novidade. Não foi por menos a repercussão e audiência.