#FullerHouse chegou ao fim na Netflix

10/06/2020

Fonte: Reprodução
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No último dia 02, a Netflix colocou em seu catálogo a última parte da quinta temporada de mais uma de suas séries originais. "Fuller house", spin-off da série "Full house" e que por aqui é conhecida como "Três é demais", fez a alegria dos saudosistas de plantão. Num momento onde se aposta em atualizações ou séries derivadas, a homenagem ao sucesso de 1987 da ABC fez barulho desde sua pré-produção. Nesta etapa, a maior repercussão foi o to be or not to be da personagem Michelle, interpretada por Ashley e Mary-Kate Olsen. As gêmeas, que na década de 1990 viraram mania em filmes para a família, optaram por não participar do projeto. Após cinco temporadas, percebemos que, para o bem e para o mal, a personagem não fez falta. A casa estava tão cheia que eu me questiono se Michelle teria alguma relevância.

A ideia inicial era recriar o clima de "Full house". Se Danny Tanner (Bob Saget) contou com a ajuda do cunhado Jesse Katsopolis (John Stamos) e do amigo Joey Gladstone (Dave Coulier) para cuidar de suas três filhas, agora era a vez de DJ (Candace Cameron Bure) ser socorrida pela irmã Stephanie (Jodie Sweetin) e por sua impagável amiga Kimmy (Andrea Barber). A química da alcateia foi imediata. Nas primeiras temporadas, o elenco da série original fez participações esporádicas numa tentativa de segurar a curiosidade. Pode-se dizer que após implantada a série, as voltas pontuais de Jesse e Joey mais incomodavam do que agregavam. Já os filhos de DJ nunca disseram muito bem a que vieram. Jackson (Michael Campion) interpretou o típico adolescente bobo e Max (Elias Harger) era um contraponto irritável. Tommy (Dashiell e Fox Messitt) não chegaram na ponta do mindinho das gêmeas Olsen. Mas aqui entra a questão do roteiro, que ao focar nas aventuras de DJ, Stephanie e Kimmy, ignorou o personagem.

Com o passar das temporadas, vivemos o triângulo amoroso de DJ, ao se questionar entre Matt (John Brotherton) e seu amor de adolescência, Steve (Scott Weinger). Este arco manteve um ritmo interessante e a viagem dos personagens ao Japão foi o ápice. Já a relação de Kimmy com a filha adolescente Ramona (Soni Nicole Bringas) e com seu ex-marido Fernando (Juan Pablo di Pace) foi pintada e bordada com tons bem acima de humor nonsense, que acabou tomando conta da série como um todo. Chegou um momento em que todos os personagens se encontravam em situações bizarríssimas, com direito a planos mirabolantes de aniversários surpresas e até flash mob pra pedido de casamento. Tudo dentro de uma proposta que também abarcava o conflito de Stephanie, que se descobriu apaixonada por Jimmy (Adam Hagenbuch) e se tornou mãe após Kimmy se tornar a sua barriga de aluguel. Este plot fez a personagem de Andrea Barber deitar e rolar em suas excentricidades, segurando o bastão para a última temporada.

Ao concluir a série, é possível perceber que a casa estava de fato fuller. Embora a proposta parecesse um tanto quanto atropelada em seu início, logo o spin-off demonstrou ter fôlego para crescer por si. Navegando entre o saudosismo e o uso da tecnologia na atualidade, "Fuller house" proporcionou ótimos momentos. Mesmo que alguns personagens não tenham se destacado como poderiam, como no caso dos filhos de DJ, ou que alguns tenham voltado sem se fazer necessário, como a recorrência de Joey, foi válido retornar a San Francisco e revisitar essa família que fez parte da infância de muitas pessoas. O saldo foi mais do que positivo.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.