#LoveVictor is so cute!

24/06/2020

Fonte: Reprodução
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A espera chegou ao fim! Quem curtiu "Love, Simon" (2018), estrelado por Nick Robinson, Josh Duhamel e Jennifer Garner, adaptado do livro "Simon vs. the homo sapiens agenda", de Becky Albertalli, tem tudo pra se encantar com a série "Love, Victor" (2020). Antecipada em dois dias pela Plataforma Hulo (a ansiedade estava grande!), a novidade aborda a questão da identidade numa época bastante específica do desenvolvimento humano: a adolescência.

Na trama, Victor Salazar (Michael Cimino) é um jovem de uma família latina, conservadora e religiosa, que parte do Texas quando Armando (James Martinez), o pai, inicia uma nova etapa em sua carreira profissional. Recém-chegado à cidade e ao Creekwood High School, o protagonista se vê numa jornada de descobertas e autoconhecimento.

Revivendo a mesma atmosfera da obra original, este spin-off conta com a presença de Simon (Nick Robinson) a partir de narrativas em off, fazendo um necessário link entre o filme e a série. Também a escola e o parque de diversões como cenário transferem o clima da ambientação original. No entanto, estes e outros easter-eggs isolados seriam insuficientes. Afinal, "Love, Victor" bebe da mesma fonte sem ser uma cópia.

O fato de a narrativa centrar-se em um jovem de origem hispânica traz provocações tão pertinentes quanto a questão da sexualidade. Em tempos onde as pessoas querem erguer muros para demarcar fronteiras, há uma promoção de protagonismo para além de narrativas brancas. Soma-se ainda o conflito oriundo da religiosidade que marca a família de Victor diante da abordagem progressista.

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Destaque para a abertura, que está super anos 1990! Já a trilha sonora namora com o pop e tem Shawn Mendes abrindo o quarto episódio com "If I can't have you" numa cena no bar onde Victor passa a trabalhar e onde compartilha momentos com Benji (George Sear). Em vários momentos, é possível perceber uma forte conotação sexual entre os personagens, o que em nada diminui a sensibilidade com a qual os roteiristas desenvolvem a trajetória dos personagens. Os jovens exalam química, lembrando ao público que a adolescência é, de fato, um momento intenso e de muitas descobertas.

Ana Ortiz, que se destacou em séries como "Ugly Betty" (2006-2010) na pele de Hilda Suarez, irmã da protagonista, e protagonizando "Devious Maids" (2013-2016) como Marisol Suarez, lidera o elenco formado por rostos desconhecidos, mas que traz personagens com personalidades bem definidas e que passam a se destacar no decorrer dos episódios. Um exemplo é Felix (Anthony Turpel), vizinho de Victor. Ansioso, chega quinze minutos antes do combinado e é dono de um carisma acolhedor. E Victor, que tinha tudo para estar vinculado simbioticamente a Simon, foge do óbvio, mostrando que é possível a construção de um personagem tão complexo quanto o defendido por Nick Robinson. Embora similares, a linha de ação é completamente diferente. Assim, quem espera uma releitura da obra de Becky Albertalli pode se frustrar. E isso é mais do que positivo! Quanto mais histórias abordarem a diversidade, mais constataremos o fundamental papel da arte na promoção de sensibilidade, compreensão, reflexão e criticidade.

Logotipo da série
Logotipo da série

"Love, Victor" cumpre a proposta entretenimento ao mesmo tempo em que aborda questões relevantes, com ênfase na representatividade e na diversidade. Como dizem na internet, é pra aquecer o coração! A série já tem a sua identidade e agora o público passa a torcer para que Victor encontre a própria.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.