Mais de sete pecados na Globo

04/06/2007

Logotipo da novela
Logotipo da novela

A Globo está num momento delicado. Suas tramas não são mais "mania nacional". "Eterna magia" vive uma eterna dor de cabeça porque não emplacou (ainda), "Pé na jaca idem (e não tem mais nem tempo de emplacar). "Paraíso tropical" recém mostra sinais de ressurreição, sendo que ele foi alcançado através de cenas surpreendentes: flagras. Grande coisa, qualquer autor que não seja Gilberto Braga ou Ricardo Linhares adiciona essa falta de criatividade nas novelas. E pelo visto, o público ainda aceita de mão beijada cenas de discussões na cama por conta de traições. Além disso, as novelas da Globo se resumem em cama e mesa, porque não há outras situações evidenciadas na contagem da história (ah, sequestros também, o público ficou numa aflição com o sequestro do Luciano que boa parte dos telespectadores resolveram passar um café no horário).

Depois dessa enrolada toda, pensei um pouco sobre a situação que está prestes a acontecer (e é inevitável): mais de sete pecados na Globo. A emissora anda pecando em vários sentidos e o que eu gostaria de destacar primeiramente é a redundante presença dessa palavra nos nomes das tramas. No "Vale a pena ver de novo", "Da cor do pecado", sucesso de 2004 com Reynaldo Giannechini e Giovanna Antonelli como mocinho e vilã, respectivamente. E agora que incumbiram o Walcyr Carrasco de dar uma arribada no horário problema da emissora, apostam nos mesmos atores, só que agora, os dois como mocinhos. Pior que isso: o título da trama é semelhante. "Sete pecados" é a estreia de Walcyr como autor contemporâneo (na Globo, só escreveu novelas de época e aqui adiciono o triste final de "Esperança"). Com a trama, o autor mantém a parceria com Jorge Fernando desde "Chocolate com pimenta". Resta agora saber se vale a pena ver de novo o pecado do horário das sete.

Mudando de assunto...

Na Record, "Alta estação", que poderia ter um mês, um ano ou uma década de duração, dá lugar à série que tratará a saga do herói mascarado Zorro. Com a entrada da produção, houve até mesmo suba no ibope. Seria uma ironia? Talvez o público não queria que a Record siga seu "Caminho à liderança" imitando a Globo com três horários de novela e horário para reprises. Claro, deve-se destacar a arrancada no jornalismo da emissora e melhor elaboração de seus programas. Com certeza, isso foi de grande importância para seu crescimento. E se os ibopes das novelas da Globo andam meia boca, nada melhor que a Record ser original para continuar conquistando seu próprio público!

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.