#MariaMercedes ¡Qué rico son!

10/08/2020

Fonte: Reprodução
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Se a presença de Thalía é um trunfo, o texto de suas novelas passa do ingênuo ao risível em poucos segundos. A maior vantagem é notar que as histórias sempre têm um começo, um meio e um fim bem definidos, centralizando no núcleo principal todas as ações. Mais do que de Maria, a novela é de Thalía. E em novela de Thalía, vale qualquer coisa. Vale aquele olhar meigo que só ela é capaz de fazer, vale sonhar, vale buscar a felicidade e ajudar ao próximo. E vale fazer rir com algumas situações presentes na novela que preciso enumerar e comparar com as novelas brasileiras:

- Cenas do cachorro Sócrates também chamavam atenção, só que não. Alguns autores, como Walcyr Carrasco, também gostam de bichinhos em novelas. Né não, macaco Xico de "Caras & bocas"?

- E os pensamentos? Quando menos se esperava, entrava um flashback em preto e branco! Para nossa alegria, Benedito Ruy Barbosa utiliza esse recurso, mas seus personagens apenas pensam.

- E se na novela mexicana tempos um núcleo num cortiço a la Vila do Chaves, qual novela brasileira não resiste a uma pensão? Pra mim, uma das pensões mais famosas das novelas brasileiras é a da Divina (Neuza Maria Faro) em "Alma gêmea". A vantagem de pensão é juntar num só núcleo vários personagens. Gisele Joras também foi espertinha e colocou uma pensão em sua primeira novela, "Amor & intrigas".

- O verso em português "A vida te preparou somente para amar... Maria Mercedes" que era entoado no "estamos apresentando" e "voltamos a apesentar" é uma tradução errônea da original, que em espanhol é "La vida te premiará... Tu ya lo verás". Seria daí a inspiração de Ricardo Linhares nas vinhetas de intervalo de "Agora é que são elas" colocar o versinho cantado pelo Lenine?

- Outra situação que me ocorre é de um personagem que cantava em espanhol quando menos se esperava. Destoava completamente do restante da história, tal qual os núcleos avulsos das tramas de João Emanuel Carneiro.

- Quando algum plano de Malvina falhava, eis que surgia o fantasma de Santiago (Fernando Ciangherotti) rindo da desgraça alheia. Aliás, risadas malignas são o forte de novelas mexicanas. Paola Bracho (Gabriela Spanic) que o diga! Lembrei também da Janice (Maggie Wheeler), namorada de Chandler Bing (Matthew Perry) no início da série "Friends". Quem lembrar de uma risada maligna nas novelas brasileiras, deixe nos comentários!

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- As roupas invertidas de Malvina (Laura Zapata) e Dina (Carmen Amezcua) davam o que falar! No Brasil, o truque é colocar as personagens com a mesma roupa. Clássico lembrar Maria do Carmo (Regina Duarte) e Laurinha Figueroa (Glória Menezes) em "Rainha da sucata", ou então Jezebel (Elizabeth Savalla) e Bárbara (Lília Cabral) em "Chocolate com pimenta". Lembro que o Antônio Calmon fez o mesmo numa cena de "Três irmãs"... 

- Quando menos se espera, aparece a imagem da Virgenzinha de Guadalupe abençoando Maria Mercedes. Mas nada comparado a Nossa Senhora Aparecida (Taís Araújo) aparecendo pro Tião (Murilo Benício) na reta final de "América" de Glória Perez.

- Quando Mírian (Nicky Mondelini) foi à praia, levou consigo quadros com suas fotos. Aliás, em sua casa, havia mil e um quadros. Ela se achava mais que a Chayenne de "Cheias de charme" do Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. Só que quem se inspirava com os quadros era mesmo Manoel Carlos que colocou várias fotos iguais no quarto de Cláudio (Erik Marmo) em "Mulheres apaixonadas", tendo somente o tom das cores como diferencial. O mesmo aconteceu com Ornela (Vera Holtz) em "Belíssima" do Sílvio de Abreu e com Luciana (Alinne Moraes) em "Viver a vida", também do Maneco.

- Toda vez que Mírian anda pelas ruas com sua motocicleta, usa uma roupa esportiva rosa, dos pés a cabeça. Luvas, inclusive. O curioso é que quando ela está nos cenários, sua roupa é sempre preta. Mas ao sair do portão da casa de Malvina, por exemplo, sua roupa se transforma. Acho que vem daí a inspiração de Glória Perez ao final de Maya (Juliana Paes) em "Caminho das índias", quando sua roupa transformou-se do luto branco num elaborado vestido.

- Toda vez que Tito (Fernando Colunga) falava em inglês, surgia uma tradução literal. Crazy, Family, Mother entre outros verbetes foram aprendidos de graça por quem assistiu a novela. Em "Poder paralelo", de Lauro César Muniz , a legenda corria solta.

- Um destaque especial para a forma "rebolada" de andar de Mírian. Ao contrário dela, tivemos um personagem mais sóbrio: Olavo (Wagner Moura), de "Paraíso tropical". A forma de andar do vilão foi matéria até do "Fantástico"!

E então? Mais algum destaque sobre "Maria Mercedes"? Deixe seu comentário!!!

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.