Me gusta el drama

16/02/2012

Fonte: Reprodução
Fonte: Reprodução

Novela pra mim é texto. Não adianta fazer cenas na Rússia como em "Começar de novo" se a novela não traz uma história bem armada. História central, que fique claro. As novelas brasileiras de um modo geral jogam para todos os lados para ver o que dá e o que não dá certo. "Morde & assopra" é um exemplo. Foi revisitada pelo autor e uma trama paralela se transformou na principal. E justamente o dramalhão elevou a audiência da novela. Dramalhão esse que encontramos em sucessos como "O clone" e "Alma gêmea". Ou seja, o público quer sempre um texto bem armado para acompanhar os ganhos e os desdobres de uma trama bem construída.

Não é novidade que o público do SBT gosta disso. Quem assiste a emissora quer encontrar um roteiro clássico. Não adianta tentar abrasileirar as coisas criando "Revelação" e fazendo "Amor e revolução". A teledramaturgia do SBT tem aquele pezinho mexicano que todo noveleiro que curte texto adora. E todos sabemos que novelas mexicanas são as melhores na construção de suas histórias, considerando os sentimentos mais inerentes ao ser humano (em detrimento a conflitos psicológicos complexos ou inovações de linguagem). "A madrasta", por exemplo, foi uma novela viciante, apesar dos inúmeros erros de continuidade, poemas sendo declamados, penteados e maquiagens carregadas. Tudo isso desapareceu no ar diante daquela vontade em saber o que aconteceria com Maria (Victoria Ruffo), fazendo desta trama uma das mais bem armadas no México.

Outra novela que teve uma trama bem construída foi "A mentira". Original de Caridad Bravo Adams, a novela foi exibida no Brasil tendo Guy Ecker (Demétrio) como protagonista. Na trama, ele comete um equívoco casando-se com a mulher errada. Um pequeno mistake que faz o novelo se desenrolar. É a essência da novela que está em jogo e o público gosta de uma boa história. Depois que começa, não abandona. Eis o roteiro que encontramos em "Corações feridos", terceira novela escrita por Íris Abravanel.

Uma novela de verdade, com texto. Locações bem escolhidas mostram o empenho do diretor Del Rangel. Tudo bem, encontramos uma trilha sonora que não foi bem selecionada e uma edição que dá medo, além daqueles cenários estranhos do SBT que se fazem presentes junto com atuações acima e abaixo do tom. Paulo Zulu provou que frequentou assiduamente a ERMIT (Escola Ricardo Macchi de Interpretação Televisiva). Morreu no primeiro capítulo e não faz falta nenhuma. Aliás, é impressionante como as novelas fora da Globo apresentam atuações estranhas. Não que a Globo seja isenta dessa prática, tá aí Caio Castro em "Fina estampa" que não me deixa mentir.

Mas voltemos a novela do SBT... Um problema de "Corações feridos" é que ela ficou engavetada, impedindo que alguns atores evoluíssem em suas interpretações. Não é novidade para ninguém que encontrarmos Vitor Pecoraro e Cynthia Falabella tanto em "Corações feridos" como em "Aquele beijo". Enquanto o primeiro sofre pra convencer alguém que está atuando quando simplesmente fecha uma porta, Cynthia dá um show como a Aline da novela do SBT. Na trama de Miguel Falabella ela também vai bem, mas a construção de sua vilã mostra que ela é uma excelente atriz. O trio de protagonistas está longe do Antônio Abujamra (Dante), mas não faz tão feio. O mesmo se aplica a Lívia Andrade, vivendo a Janaína, empregada da fazenda. Não é por menos que Sílvio Santos insistia para que ela fosse a professora Helena da versão tupiniquim de "Carrossel".

Das últimas novelas do SBT, "Corações feridos" é a melhor. Ouso dizer que está melhor que "Uma rosa com amor" e poderia ter substituído a trama de Tiago Santiago sem problema algum, especialmente porque a audiência no horário era ascendente. Faltou ao SBT a coragem de tentar. Clássico é clássico e o seu público espera isso. A novela prepara o terreno para "Carrossel", que é um tiro no escuro. E que depois não venha novela de vampiros porque senão vai tudo por água baixo e feridos ficarão os corações do público que espera com ansiedade investimentos do SBT no núcleo de teledramaturgia. A audiência da trama segue pífia, mas "Uma rosa com amor" se valeu do nick "Um espinho com muita dor" até engrenar... E só pra concluir, fico me perguntando o por quê do pessoal que vibrou tanto com a mexicanização vista em "O astro" torcer o nariz para "Corações feridos". Preconceito só porque a novela é do SBT...

Mudando de assunto: "O maior brasileiro de todos os tempos" é um programa que o SBT tenta produzir há muito tempo e ao meu ver, vai ser algo do tipo "Rei majestade", ou seja, mais uma daquelas atrações que só o Sílvio Santos curte. Acham que realmente vão escolher uma pessoa extremamente importante? Se os fãs do Restart quiserem, Pe Lanza pode ser escolhido... Seria inusitado e eu sugeri isso no twitter. Essas votações por internet a la loco só favorecem grupos de fãs de determinado artista, que se unem em votações como a que deu o BBB para Marcelo Dourado há alguns anos.