Netflix traz a última temporada de #JaneTheVirgin

08/07/2020

Fonte: Reprodução
Fonte: Reprodução

Marcada por uma narrativa que privilegia as raízes do melodrama, #JaneTheVirgin é mais do que uma homenagem às telenovelas latinas. Embora sua concepção tenha como referência a trama venezuelana "Juana la virgen" (2002), que aqui no Brasil foi exibida pela RecordTV no mesmo ano, a série protagonizada por Gina Rodrigues traz uma linguagem moderna e cheia de twists em seus cem episódios. Todos os clichês já explorados à exaustão quando o foco é a linguagem do folhetim ganham contornos ainda mais imprevisíveis em #JaneTheVirgin, que tem o final de sua jornada disponível na Netflix desde o início desta semana.

A protagonista Jane Gloriana Villanueva cresceu muito no decorrer das cinco temporadas. No início, ela mora com sua mãe Xiomara (Andrea Navedo) e sua avó Alba (Ivonne Coll), a quem chama de "Abuela" (avó em espanhol). A jovem sonha em ser escritora e trabalha num hotel de luxo em Miami. Após uma pequena confusão durante um exame, ela é inseminada artificialmente por engano. Ao mesmo tempo em que está noiva de Michael (Brett Dier), Jane precisa lidar com uma gravidez inesperada, cujo doador, Rafael (Justin Baldoni) vive uma relação de altos e baixos com a calculista Petra (Yael Grogblas). E como se isso não bastasse, ela descobre que seu pai é o famoso ator de novelas Rogelio de la Vega (Jaime Camil).

A cada temporada, fecha-se um arco narrativo e novos conflitos são inseridos de maneira orgânica. O único ponto fora da curva da série é justamente onde a telenovela tentou se aproximar do seriado: a trama de mistério envolvendo o personagem Sin Rostro. Com uma essência folhetinesca da melhor qualidade e aliada a um narrador espirituoso (Anthony Mendez) numa edição ágil e com efeitos visuais que valorizam a obra, este recurso justificou-se para interferir na vida dos personagens sem que fosse o fio condutor principal. Afinal, foi Jane quem conduziu a série ao longo de suas cinco temporadas.

Alguns destaques: a canção "Una flor", de Juanes, as participações pra lá de especiais, como Bruno Mars, Britney Spears, Ke$ha, entre outros. Teve ainda uma dobradinha super noveleira com Jamie Camil e Angélica Valle, que atuaram juntos "A feia mais bela" (2006), da Televisa. Isso sem contar na presença da irmã gêmea da beautiful sister, Anezka (Yael Grogblas).

Também foram abordados alguns temas caros ao público, como o câncer de mama a partir do drama de Xiomara, e a deportação de imigrantes. Nisto, críticas ao presidente norte-americano Donald Trump não passaram despercebidas e suas inserções foram certeiras no roteiro.

#JaneTheVirgin conquistou um público cativo. Sabemos que há quem veja telenovela como um gênero menor e quem torça o nariz para os dramas latinos sem justificativas. Felizmente, o mercado de séries que já está há algum tempo prestando atenção neste público consumidor. Por isso, se você quer uma série pra maratonar, basta pegar o controle e #PartiuNetlix. É chegada a hora terminar a última temporada desta série que conquistou uma legião de fãs pelo mundo.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.