Nova vida, novo tempo #AlémDoTempo

26/10/2015

Foto: Fábio Rocha/Gshow
Foto: Fábio Rocha/Gshow

Eu não estava esperando que "Além do tempo" surpreendesse da forma como surpreendeu. Pensei que seria mais uma novela da Elizabeth Jhin, sem grandes atrativos. Na verdade, a autora sempre teve boas jogadas. Em "Eterna magia", brincou com a ambiguidade das irmãs Eva (Malu Mader) e Nina (Maria Flor). Em "Escrito nas estrelas", me fez acreditar que a alma gêmea de Viviane (Natália Dill) era o Daniel (Jayme Matarazzo). Em "Amor eterno amor", fez uma jogada de mestre ao apostar numa menina-espírito. E agora, inverte a ordem de uma trama espírita ao mostrar primeiro o flashback.

Elizabeth Jhin tem boas sacadas! O problema que eu via nas novelas dela, até então, era um sem-número de personagens desinteressantes, em meio a um ótimo fio narrativo. E isso me cansava. Quando começaram as chamadas de "Além do tempo", pensava: "Que droga!". Que engano, na verdade...

Na última semana, fiquei fixado em frente à TV. Como não assisti assiduamente? Foi preconceito sim, admito. Não esperava tanto. O receio era que se tratasse de mais um enredo modorrento. "Amor eterno amor" foi uma novela que não precisava ter tido tanta enrolação, por exemplo. Ok, há rumores que "Além do tempo" também teve barriguinha, mas nada que comprometesse.

Agora na nova fase, a autora vai poder explorar as relações que ficaram mal resolvidas na primeira vida. É genial a jogada e eu acho que, se ela não enrolar, vai conduzir bem. Afinal de contas, trata-se de uma nova novela dentro desta novela. A autora se supera com sua sacada e entra pra história. Além do tempo, enfim...

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.