Novelas forever

06/07/2020

Fonte: Reprodução
Fonte: Reprodução

Eu ia dizer que quando o #BlogCascudeando iniciou, aqui era tudo mato. Mas não vou dizer isso porque devemos preservar o meio ambiente. Isso não significa, porém, que eu não vou pontuar a dificuldade que era blogar lá em 2005, quando a internet não alcançava as pessoas da maneira pulverizada de hoje. Naquele momento, o conteúdo produzido pelos portais de notícias e pelos blogueiros estava sempre atualizado consoante aos acontecimentos televisivos. Hoje em dia, percebo um fenômeno um pouco diferente. É possível, por exemplo, falar sobre uma novela em reprise no Viva numa experiência que coloca o texto na atualidade e faz com que a postagem permaneça em evidência por um bom tempo. Afinal, conforme as novelas produzidas pela Globo forem lançadas no Globoplay, muitas pessoas terão acesso a este conteúdo e pesquisarão sobre as tramas em espaços que agregam informações sobre teledramaturgia. Neste sentido, as postagens que fiz das novelas "Novo mundo", "A favorita", "Tieta", "Explode coração" e "Totalmente demais" serão sempre atuais, mesmo que as obras não estejam sendo exibidas pela televisão de maneira convencional. Qualquer pessoa pode acessar aos serviços de streaming ou mesmo recorrer à internet pra rememorar capítulos de novelas. Isto mostra o valor afetivo que as histórias promovem no ser humano. Afinal, somos movidos por histórias. E sejam elas boas, sejam elas ruins, sempre estamos curiosos por alguma particularidade dessas histórias. Quem nunca pensou, por exemplo, em buscar na internet algum capítulo de "Gente fina", "Anjo de mim" ou "Sabor da paixão" só pra ver se a fama de poucos amigos era verdadeira? A gente faz isso porque não viveu aquele momento de exibição (ou se viveu, ficou guardado) e busca dar um sentido para o que as pessoas em geral falam sobre tais obras. Aponto isto como uma tendência na nova forma de consumir teledramaturgia. Agora a gente pode assistir "Da cor do pecado" a qualquer momento! Não estamos mais reféns da Globo. Acabou-se aquela vaga lembrança sobre como era a abertura de "A viagem", esperando que o "Vídeo show" exibisse a pedido de um telespectador. Permanece, porém, a expectativa sobre qual novela vai ser reprisada no "Vale a pena ver de novo" ou no "Viva". Ou mesmo na Globo, neste tempo em que a emissora precisou recorrer ao seu acervo para substituir suas novelas inéditas. Por este motivo, compartilho com todos este sentimento de que este espaço deixou de ser, para mim, apenas um local de conteúdo momentâneo. Agora ele dialoga comigo muito mais como um acervo das minhas percepções de obras já fechadas, seja novela, série ou filme. Não quer dizer que quando as obras inéditas estiverem em cartaz eu não vá falar sobre elas. É claro que isso vai acontecer! Mas a sensação de agora é de ressignificação deste cantinho que construí como uma brincadeira, há mais de quinze anos, e que fico feliz em poder usar como uma via de contato com quem também consome histórias, seja por diversão, seja por trabalho. Nestes dois meses de retorno, conheci pessoas incríveis pelo twitter (lógico que no meio tem uns haters, mas democracia é isso!), encontrei espaços de discussão e de memória televisiva que produzem um conteúdo relevante e que, em outros tempos, poderia ficar guardado numa gaveta. Ver o empenho e a pesquisa de pessoas com as quais me identifico é gratificante! A interação tem sido ótima e a cada dia que passa, reitero pra mim mesmo o quanto tem sido bom ter voltado...

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.