#NovoMundo é inédita pra mim

06/05/2020

Foto: TV Globo/César Alves
Foto: TV Globo/César Alves

Por mais de três anos, estive afastado dos meus escritos televisivos. Foram tempos movimentados na minha vida profissional. Saí mais uma vez do Rio Grande do Sul para trabalhar em Santa Catarina. Era um contrato de um ano. Como tudo era provisório, não comprei uma televisão. Fiquei sem a telinha no decorrer dos anos de 2017 e 2018. Dois anos sem televisão! Não seria sincero manter o espaço sem o tema que sempre o caracterizou. Somou-se a isto o término do serviço de hospedagem que eu utilizava. O blog saiu da vida para entrar na história.

Mas eis que veio o COVID-19 e impôs uma quarentena forçada. Minha vida profissional já não estava mais tão provisória e eu já tinha uma televisão. O que eu precisava, no entanto, era recuperar o espaço que ficou perdido no tempo. Era voltar com o Blog Cascudeando, mas sem começar do zero. O confinamento me permitiu revisitar todos os textos já escritos. Tenho trabalhado neste espaço desde o mês passado. Quem diria que eu voltaria, não é mesmo?

E quem diria que, em razão do confinamento, uma novela que eu sempre quis assistir deu as caras em seu horário de exibição original? #NovoMundo marcou a estreia de Alessandro Marson e Thereza Falcão como titulares. A trama tem como pano de fundo o período pré-independência, onde personagens reais se cruzam com o universo fictício da dupla de autores. A ousadia teve boa aceitação e os números de audiência da primeira exibição falaram por si. A repercussão também foi boa e isto motivou a escolha da novela para substituir "Éramos seis" e preparar o terreno para "Nos tempos do imperador", dos mesmos autores de "Novo mundo".

Tenho assistido assiduamente a trama e percebido cortes muito bruscos. A narrativa é muito rápido. Há personagens com os quais não me envolvo. Dizer que Vivianne Pasmanter dá um show como Germana é chover no molhado. Falar sobre a delicadeza de Letícia Colin como a Imperatriz Leopoldina idem. A novela tem seus méritos. O texto é inteligente e consegue ser histórico sem ser didático. Mas me incomoda demais o personagem do Chay Suede. Acho o Joaquim um equívoco, não na interpretação do ator, mas em seu arco dramático. Um personagem branco falar por em nome de uma aldeia indígena não me deixa confortável. Entendo que é um recurso dramatúrgico necessário para a condução da história. Mas entender não significa concordar.

No mais, a experiência de assistir a esta novela pela primeira vez tem sido muito boa. Vejo que o pessoal comenta que a audiência não está lá essas coisas. Analisando bem, "Novo mundo" é novela de uma só exibição. Acho que não era tão marcante ao ponto de merecer reprise. Veio em razão da pandemia e pra preparar o terreno para a próxima novela das seis, que vai contar a trajetória de Dom Pedro II (Selton Mello). Um erro estratégico que poderia ter sido evitado se tivessem remanejado "Êta mundo bom" para as seis e reprisado algum clássico dos anos 1990 no "Vale a pena ver de novo", neste ano em que a sessão de reprises completa 40 anos. A temática histórica pode afastar o público de "Nos tempos do imperador". Mas pessoalmente, não reclamo a volta de Dom Pedro I (Caio Castro). É a minha oportunidade de acompanhar a novela.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.