#OTempoEOVento se despede

02/02/2012

Fonte: Reprodução
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Quem tem acesso ao Canal Viva teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o Rio Grande do Sul através da trilogia "O tempo e o vento", do gaúcho Érico Veríssimo. Dividido em "O continente", "O retrato" e "O arquipélago", a obra percorre a saga da família Terra Cambará num período de mais de duzentos anos. Na adaptação televisiva realizada por Doc Comparato e Regina Braga em 1985, apenas a primeira parte da trilogia foi apresentada. Cabe ressaltar que a obra serviu como referência para a adaptação da novela "O tempo e o vento" de 1967, exibida pela Tupi.

É legal a possibilidade de resgatar teledramaturgia através do canal de reprises da Globo. Muitas pessoas podem acompanhar novelas, minisséries e seriados com a TV paga. "O tempo e o vento" é um caso de rara oportunidade para mim. Entrou no meu Top Five de minisséries da Globo. Quem assistiu "A casa das sete mulheres" vai encontrar em "O tempo e o vento" uma produção mais próxima do contexto do meu estado. Ainda que com recursos audiovisuais mais limitados, traz uma história viciante pela simplicidade. Apesar da precariedade de efeitos especiais, não tem como não se envolver com o texto apresentado. É o fundamental da história, juntamente com uma direção e trilha sonora competentes. O trabalho de Tom Jobim é de arrepiar, mesclando-se com belíssimas imagens de campos e interpretações convincentes em todos os sentidos.

Glória Pires dá um show como Ana Terra no início da saga. E Tarcísio Meira como um certo Capitão Rodrigo, chega ser hilário pela maneira como conduziu seu personagem: um gaúcho bem bagual! O restante do elenco também está muito bem, destacando Louise Cardoso na primeira fase de Bibiana e Mário Lago como o padre Lara. Lilian Lemmertz interpreta Bibiana na reta final da obra. O único porém fica na narração da minissérie, que lembra o narrador do Pica-Pau no episódio das cataratas. Mas isso não tira o brilho da produção. Quem assistiu deve ter vibrado. Trata-se de uma obra que realmente merece ser contemplada.

Mudando de assunto: Que Francisco Cuoco é um grande ator, ninguém duvida. Ele marcou seu nome na teledramaturgia em obras memoráveis, em especial as parcerias com Janete Clair ("Pecado capital", "O astro" e "Eu prometo"). Porém, de uns tempos pra cá, ele parece que esqueceu de interpretar. Tirando sua participação no remake de "O astro", encontramos o ator com os mesmos tiques de "Cobras & lagartos", "Negócio da China" e "Passione". O mesmo para a sua participação como Mariano em "A vida da gente". É uma pena para mim não ter a oportunidade de apreciar um show em cena como ele já proporcionou em outras oportunidades.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.