Personagens femininas em obras de Eça de Queiroz

20/05/2020

Fonte: Reprodução
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Eça de Queiroz é um autor que sempre esteve envolvido no jornalismo, na política e na literatura. Com tantos predicados, denunciou a hipocrisia da sociedade portuguesa em sua época. Suas obras são marcadas por contestações de comportamentos da burguesia e tiveram inúmeras adaptações na televisão e no cinema. Cito um de seus expoentes: "Os Maias" (1888). Adaptada em minissérie (2001) e filme (2014), aborda a proibição de um romance por conta de questões sociais que, anos mais tarde, o destino direciona a uma relação incestuosa.

No livro "Autores - Histórias da teledramaturgia" (2008), Maria Adelaide Amaral resume "Os Maias" como a melhor obra do autor português, nascido em Póvoa de Varzim no dia 25 de novembro de 1845. Segundo a dramaturga, que também é portuguesa, esta obra não daria mais do que 24 capítulos na televisão. A Rede Globo encomendara o dobro. Como solução, outra obra foi agregada à narrativa: "A relíquia", de 1887. Esta inserção foi vista com desconfiança na época de lançamento da minissérie, pois há grupos de pesquisadores que não admitem interferências significativas na adaptação audiovisual de Eça de Queiroz. E justamente nesta adaptação de 2001, uma licença-poética da autora causou revolta: o retorno da personagem Maria Monforte, defendida na primeira fase por Simone Spoladore e na segunda fase vivida por Marília Pêra. Dramaturgicamente, a revelação do grau de parentesco dos personagens Carlos da Maia (Fábio Assunção) e Maria Eduarda (Ana Paula Arósio) teve mais força, aliando o texto da autora e a direção irrepreensível de Luiz Fernando Carvalho. O retorno de sua personagem procurou mostrar a decadência daquela mulher que no passado viveu um amor, uma liberdade, um afastamento das convenções, mas que no seu retorno, encontrou as consequências de suas escolhas afetando justamente a vida de seus dois filhos.

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No ano de 2014, Maria Flor interpretou a personagem Maria Eduarda nos cinemas. O filme português "Os Maias - (Alguns) Episódios da vida romântica" foi dirigido por João Botelho. Da mesma forma que a obra exibida pela Rede Globo, a interpretação dos atores teve um tom ufanista e teatral, de forma a representar ainda mais a decadência dos valores morais da sociedade burguesa do século XIX. Esta versão foi adaptada como minissérie em quatro capítulos pela RTP no ano seguinte.

Na semana que vem, seguimos com a análise de obras como "O crime do Padre Amaro" e "O primo Basílio", onde algumas de suas personagens femininas serão debatidas como um reflexo realista acerca dos costumes do século XIX.

Referências

MEMÓRIA, G. Autores: Histórias da teledramaturgia, v. 1 e 2. São Paulo: Globo, 2008.

QUEIRÓS, Eça de. Os Maias. Disponível em:  <https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000083.pdf> Acesso em: 20 mai 2020.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.