Que presidente sou eu?

26/01/2012

Foto: Estevam Avellar/Rede Globo
Foto: Estevam Avellar/Rede Globo

Não é de agora que a crítica aos sistemas governamentais surge na teledramaturgia. Lógico que, na maioria das vezes, o foco é pequeno: a prefeitura de Preciosa (Morde & Assopra) por exemplo, foi palco de diversos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. Mas tudo soou tão bobo por conta da narrativa da história que, ao invés de nos indignarmos, rimos com a tal taxa de purificação da água. De outra forma, a cidade de Ribeirão do Tempo (Ribeirão do Tempo) carregava consigo uma sátira aos nossos valores construídos historicamente. Mas a recepção ficou por conta do seleto grupo de telespectadores que acompanharam a ideia de Marcílio Morais.

Esse link que aponto já apareceu em diversas outras produções. Falcatruas, corrupção, brigas pelo poder sempre estiveram em alta. Ilhéus era palco do coronelismo em "Gabriela". Asa Branca foi além, colocando o fanatismo por um santo que nunca morreu como a força que realmente governava a cidade em "Roque Santeiro". Ao lado de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, Lauro César Muniz também construiu tramas que traziam em seu contexto o que há para além das aparências em nossas formas de governo. Sassá Mutema (Lima Duarte) que o diga... Uma famosa intervenção no final da trama impediu o protagonista de assumir a presidência. Até hoje, tem muita coisa mal explicada nessa história.

Se em "Amor e revolução" o público acompanhou didaticamente questões sociais referentes aos anos de chumbo, no Reino de Ávilan (Que rei sou eu?), encontramos em um tom ácido uma crítica consoante a falta de perspectivas dos brasileiros diante do final da Ditadura Civil-Militar. Apesar de toda a movimentação pelas Diretas Já, nosso país permanecia modorrento, convivendo com uma inflação exorbitante e à espera de um milagre tanto econômico como em melhorias sociais. E parecia que até hoje esperaríamos.

Desde que Paulo Ventura (Domingos Montagner), blogueiro conhecido em todo o país por suas ideias ousadas e dura perseguição ao que há de mais baixo em nosso governo assumiu a presidência, muitas perspectivas se abriram. Agora, o nosso povo pode contar com um homem íntegro, que luta pelo bem comum e realizará as melhorias que nosso povo tanto precisa. Muita sorte ao novo presidente! E os parabéns ao autor Euclydes Marinho e à direção do Ricardo Waddington, responsáveis pelo melhor produto da TV nesse início de ano. Uma excelente embalagem e ótimo conteúdo encontramos na minissérie "O brado retumbante".

Mudando de assunto: Na última terça-feira, houve um duelo épico na história das minisséries. A produção global brigou direto com a estreia de "Rei Davi" na Record, que deixou muitas vezes a emissora na liderança. A Globo deveria ter apresentado "Dercy de verdade" como a segunda minissérie do ano, pois foi um produto mais abrangente que a assinada por Euclydes Marinho. Talvez essa estratégia tivesse abafado um pouco os ânimos na Record...