S01E01 - Mildred Pierce

09/05/2020

Diretor de "Casablanca" (1942), incontestável ícone da era dourada de Hollywood, Michael Curtiz era o nome ideal para a indústria do cinema. Seus primeiros trabalhos foram realizados ainda na Europa, mais precisamente na Hungria e na Áustria. Contratado pela Warner Bros, realizou obras de narrativa limpa e ritmo fluído. Entre estes, destaca-se "Alma em suplício" (Mildred Pierce - 1945), que dá início ao "Sábado Clássico" aqui do Blog Cascudeando.

Fonte: Reprodução
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Dezessete anos antes de dividir magistralmente a tela com Bette Davis (1908-1989) em "O que terá acontecido a Baby Jane?" (What ever happened to Baby Jane? - 1962), Joan Crawford (1904-1977) viveu a personagem-título Mildred Pierce. Esta obra traz uma atemporal discussão sobre ética e moralidade a partir da relação mãe-filha. Enquanto Mildred busca superar o abandono do marido e a necessidade de sobrevivência, sua filha Veda (Ann Blyth) é o oposto. Talvez por isso, seja uma das personagens mais ingratas e detestáveis da história do cinema.

A discussão que o roteiro propõe mexe com o ideal de amor, aqui manifestado de forma incondicional. É difícil ficar inerte diante da intensidade com que a trama se desenrola, pois são muitas as intrigas criadas pela filha de Mildred. Soma-se a abnegação da protagonista, explorada à exaustão por acreditar na máxima de que por um filho se faz todo e qualquer sacrifício. Mas a personagem, que poderia despertar certa antipatia, é convincente graças ao talento de Joan, que fez por merecer o Oscar de Melhor Atriz em sua atuação neste filme.

Fonte: Reprodução
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Além de inspiração para o fio condutor da novela "Vale tudo" (1988), esta adaptação da obra homônima de James M. Cain também teve uma versão como minissérie no ano de 2011 na HBO, tendo Kate Winslet no papel principal.

FICHA TÉCNICA

Título original: Mildred Pierce
Diretor: Michael Curtiz
Gênero: Drama, mistério, noir
Duração: 111min.
Oscar 1946: Indicado nas categorias: Melhor atriz (Joan Crawford, venceu), Melhor atriz coadjuvante (Eve Arden e Ann Blyth), Melhor fotografia, Melhor roteiro adaptado e Melhor filme.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.