S01E10 – The miracle worker

11/07/2020

Dirigido por Arthur Penn, "The miracle worker" (O milagre de Anne Sullivan - 1962) deu a Anne Bacroft e Patty Duke merecidos Oscars de Melhor Atriz e de Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Com uma fotografia em preto e branco que enfatiza ainda mais a vida cinza de Hellen Keller (Patty Duke), o filme traz uma discussão bastante pertinente no que se refere ao processo pedagógico e aquisição da linguagem. Encerramos com esta obra a primeira temporada do #SábadoClássico do #BlogCascudeando.

Fonte: Reprodução
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Filmes que abordam patologias e limitações são comuns. Quando o assunto é linguagem, Nell (1994) é um dos primeiros a serem lembrados. Entre as obras recentes, "Arrival" (A chegada - 2016) traz a comunicação como fio condutor no gênero ficção científica. Isto nos mostra o quanto esta temática desperta interesse do espectador, pois a comunicação acontece desde o nascimento e perpassa nossas relações no decorrer da vida, dando nome às coisas, organizando e definindo os sentimentos e as emoções.

A aquisição da linguagem é estudada a partir de várias vertentes teóricas, como a perspectiva behariorista (comportamento com base no estímulo-resposta) e a gerativista (disposição inata para uma gramática universa). Logicamente existem outras, mas a ideia aqui é constatar como as teorias de linguagem não conseguem dar conta isoladamente de sua aquisição, visto que a linguagem vai além da fala e da escrita. Neste sentido, a abordagem de sua aquisição a partir de uma criança cega, surda e muda, permite a saída de um lugar de conforto quando se espera que apenas uma teoria da linguagem responda às questões propostas para o filme.

Observa-se ainda que Hellen reflete uma condição bastante adversa, pois é ser humano todo pulsão em sua essência, onde apenas as suas necessidades mais básicas parecem ter necessidade de serem providas. No entanto, esta ideia entra em confronto quando se observa que Hellen tem suas vontades, abrindo caminho para pensar no desenvolvimento humano de uma maneira mais ampla. Afinal, de onde viria o desejo quando se desconhece o mundo?

Fonte: Reprodução
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Os métodos pedagógicos empregados por Anne podem ser questionados, considerando o uso de violência no disciplinamento. Talvez este ponto seja complicado de ser defendido numa análise do filme pelos parâmetros atuais sobre metodologias de ensino. Contudo, para a época retratada, muito conhecimento que hoje temos ainda estava sendo produzido através de pesquisas, fazendo com que o recorte do filme possa ser compreendido como um ensaio para o desenvolvimento teórico no que se refere à linguagem e desenvolvimento humano.

"The miracle worker" é avaliado em 8,1 no IMDb. Há uma versão produzida no ano 2000, dirigido por Nadia Tass, com Alison Elliot (Anne) e Hallie Kate Eisenberg (Hellen).

FICHA TÉCNICA

Título original: The miracle worker

Ano: 1962

Direção: Arthur Penn

Roteiro: William Gibson

Gênero: Biografia, drama

Duração: 107min.

Elenco: Anne Bacroft, Patty Duke, Victor Jory, Inga Swenson, entre outros.  

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.