Vaaaaai amiguuuuu...

11/04/2011

Fonte: Reprodução
Fonte: Reprodução

Acabou a novela "Araguaia"! Ponto final no despretensioso texto de Walther Negrão. Na última sexta-feira, o epílogo de um triângulo amoroso envolvendo Solano (Murilo Rosa), Estela/Estrela (Cléo Pires) e Manuela (Milena Toscano).

A novela "Araguaia" começou herdando boa audiência de "Escrito nas estrelas", que tinha ido bem. Mas a maldição indígena, a princípio, não chamou atenção. Pelas chamadas, já era de se esperar uma trama pouco atraente por diversos motivos: o autor não foi bem em suas últimas produções ("Como uma onda", "Desejo proibido"), o elenco não parecia bem escalado a princípio (diga-se Regina Duarte e Edson Celullari e o troca-troca de protagonistas), a trama da maldição, as tiradas cômicas que não eram cômicas, entre outros motivos.

Mas o resultado final até que não foi tão ruim. O horário das seis manteve os índices, conquistou um público fiel e em seus momentos decisivos e até superou a audiência de "Morde & assopra" em alguns momentos. Há tempinhos uma novela das seis não superava a das sete. São frutos da coerência que o experiente autor traz em sua narrativa - antes da estreia de "Desejo proibido", eu já havia apontado esta característica.

Quanto à direção, depois de uma empreitada na Índia, Marcos Schechtman fez belíssimas tomadas na região do rio Araguaia. Até por esse motivo, a novela foi a primeira do horário a ser exibida em HD. Mas todos também sabem que a Globo costuma errar quando faz apenas uma viagem ao local de gravações (o próprio Walther Negrão já disse que em "Tropicaliente" o resultado ficou melhor porque o elenco gravava direto em Fortaleza, enquanto em "Como uma onda", somente uma viagem foi feita à Florianópolis). Diante disso, éramos contemplados com uma edição às vezes tosca, tendo cenas gravadas com os atores no Araguaia inseridas no meio de cenas de estúdio, sem contexto. Pelo menos no final, a emissora pagou uma passagem pra Julia Lemmertz e pro Thiago Fragoso gravarem algumas cenas. E tirou do baú no último capítulo imagens do circo que não disse a que veio gravadas antes mesmo da estreia.

A novela merece destaque também em relação a alguns nomes do elenco. Reuniu Lima Duarte, Turíbio Ruiz, Eva Wilma (que eu achei muito mal utilizada), Juca de Oliveira (que entrou de última hora pra acabar com a maldição!) e Laura Cardoso (que emociona com o olhar, não importa a cena, não importa a personagem). Um ótimo presente para o fim da tarde para quem acompanhou. Apostou ainda com um elenco infantil, mas os órfãos das "Chiquititas" eram melhores. Revelou Flávia Guedes como a empregada Aspásia que, segundo alguns divertiu, mas eu sentia vergonha alheia. A novela ainda fez de Raphael Vianna um galã numa época onde há dificuldade nas emissoras de escalar talentos masculinos, tirou a Milena Toscano do humorístico "Os caras de pau" e deu à atriz uma grande oportunidade, apesar de ter perdido o posto de protagonista pra Cléo Pires.

Por essas e outras, a novela valeu. Mas também só porque foi bem feitinha como diz o Luciano Huck, não precisa reprisar no "Vale a pena ver de novo".