Você está curtindo #MulheresApaixonadasNoVIVA?

24/08/2020

Fonte: Reprodução
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Elas estão apaixonadas e de volta no Canal Viva! Além das 15 aberturas e de uma trilha sonora com mais de 500 mil cópias vendidas em álbum duplo nacional e internacional, o sucesso de "Mulheres apaixonadas", de Manoel Carlos, se traduz também com seus 46,40 pontos de audiência na média geral em sua exibição de 2003 e um recorde de merchans sociais até então. Praticamente todos muito bem desenvolvidos, né Hilda (Maria Padilha)?

"Mulheres apaixonadas" é o tipo de novela que eu sei o nome de cada personagem cujo ator está creditado na abertura. Pra quem não sabe, a novela furou a fila das 21h no já longínquo ano de 2003. Manoel Carlos relata no livro "Autores - Histórias da teledramaturgia" que após "Esperança" era a vez de "Celebridade". Ele estava em Nova York quando recebeu um e-mail para antecipar a trama. Conta ainda que já tinha em mente o título na época em que escrevia "Laços de família", pois pretendia assim evitar alguma situação semelhante ao que aconteceu no ano 2000, quando o título "Laços de família" por pouco não ficou com a Record, cuja novela passou a se chamar "Marcas da paixão".

O "apaixonadas" do título não diz respeito apenas à relação amorosa. Fala sobre a paixão pelo amor, pela família, pela vida e até mesmo pelos vícios. Com este apaixonamento, o autor desenha um painel de sua percepção sobre o feminino. Para tanto, entrega a Christiane Torloni a incumbência de viver uma Helena inquieta e questionadora sobre as convenções. É a partir da personagem que a lealdade e a fidelidade são problematizadas enquanto outras personagens orbitam a sua volta com temas menos subjetivos - e talvez por isso mais palatáveis e identificáveis ao público.

Na época, houve uma intenção de estrear um novo galã: Rafael Calomeni, na pele de Expedito. O personagem inicia um romance com uma mulher mais velha, Lorena (Susana Vieira), mas acaba sendo descoberto como modelo.

Capa da Revista Veja
Capa da Revista Veja

Regiane Alves destacou-se como Dóris, a neta que maltratava os avós Leopoldo (Oswaldo Lousada) e Flora (Carmen Silva). Há ainda a polêmica relação entre uma professora de educação física e seu aluno. Aliás, que idade tinha o Freddy (Pedro Furtado) durante o Ensino Médio? Só pra saber se o pessoal também vai cancelar Rachel (Helena Ranaldi)...

O alcoolismo costuma ser um tema frequente na obra de Manoel Carlos. Há uma tendência de observarmos o homem como mais vulnerável a esta questão. Por isso, houve a opção de apresentar uma mulher, professora com uma vida estabelecida e que trabalha diretamente com a formação de jovens, acometida pelo vício. Vera Holtz, como se sabe, deu um show ao interpretar Santana.

Outros temas abordados na novela: celibato (Padre Pedro - Nicola Siri), ciúme doentio (Heloísa - Giulia Gam), fetiches sexuais (Dona Natália do Vale-Transporte - Sílvia), homossexualidade (Clara e Rafaela - Alinne Moraes e Paula Picarelli) e violência urbana (Fernanda - Vanessa Gerbelli).

É provável que alguns comentários ou comportamentos abordados causem estranhamento nos dias de hoje, configurando-se num registro da evolução da sociedade onde estamos. Isto é ótimo no sentido de abrir ainda mais a discussão sobre a relevância da telenovela no nosso cotidiano e em como ela apresenta/representa um panorama de uma determinada época.

Capa da trilha sonora oficial
Capa da trilha sonora oficial

A trilha sonora destaca-se em diversos quesitos. Foi lançado um álbum duplo com músicas nacionais e internacionais, contando com músicas que marcaram o ano de 2003. Em seguida, um volume dois, com músicas nacionais e internacionais.

A trilha internacional é memorável, com músicas que combinam muito bem com os personagens: Avril Lavigne (I'm with you), Norah Jones (Don't know why), Tiziano Ferro (Imbranato), Maná (Vivir sin aire), entre outros. Já a trilha nacional traz boas opções de Bossa Nova e MPB, com direito a "Você", na voz de Marília Gabriela e Reynaldo Gianecchini. Muito luxo (falto um emoji debochado aqui)!!!

Por ocasião da atual reprise pelo Canal Viva, novas aberturas estão sendo produzidas com novas fotografias, expediente que ocorreu na exibição original em 2003. Será que a ideia está relacionada aos direitos de imagens que nos últimos anos passaram a afetar algumas vinhetas de novelas? Afinal, não sabemos como foi a cessão de direitos das fotografias utilizadas em sua exibição original e se os anônimos teriam direito a receber R$237,40.

De qualquer forma, a partir de amanhã os noveleiros de plantão vão se encontrar todas as noites pra comentar a trama do Maneco. É provável que a repercussão seja igual ou até mesmo maior que na exibição de "O clone". Afinal, "Mulheres apaixonadas" vale muito a pena ver de novo - desta vez, no Viva.

Lucas Andrade é natural do interior do Rio Grande do Sul e reside atualmente em Santa Catarina. Escreve sobre televisão desde o Ensino Médio no #BlogCascudeando. Formado em Psicologia e com Mestrado em Educação, atua na área e está cursando Letras-Português. Ainda pretende ganhar o Nobel de Literatura e um Oscar.